segunda-feira, 30 de junho de 2014

Reunião para discussão de projeto de Seminário EJA em Movimento

Olá colegas,

Temos anunciado uma reunião para discussão de um evento - um Seminário - que congregaria educadores de EJA para discussão de temas relevantes sobre essa modalidade da educação básica. Essa reunião está agendada para o dia 16 de julho, às 9h, na sala 32, 3o. andar, no Centro de Educação, na UFRN.
Desde que fizemos esse anúncio, soubemos de um edital publicado pela UFRN que prevê recursos para eventos acadêmicos, cujo prazo para o envio de propostas se encerra dia 9 de julho.
Nesse sentido, estamos convidando todos a se fazer presentes em uma reunião, no dia 7 de julho, no mesmo local da reunião anteriormente divulgada, a fim de discutirmos como enquadrarmos nossas ideias na perspectiva do Edital.
Entendemos que esta reunião não elimina a realização da outra já divulgada, pois o envio da proposta ao Edital não garante sua imediata aprovação. Assim, manteremos nossa mobilização e todos informados do andamento desse processo.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

O analfabetismo como violação a direito fundamental

Publicamos abaixo matéria sobre debate acontecido na Comnissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa, do Senado Federal, dia 9 de junho próximo passado.

"Debatedores consideram analfabetismo violação a direito fundamental

No Brasil, mais de 13,2 milhões de pessoas não sabem ler e escrever

Fonte: Agência Senado

A realidade do analfabetismo no Brasil, onde mais de 13,2 milhões de pessoas não sabem ler e escrever, foi discutida em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) nesta segunda-feira (9). Pelos registros apresentados, além dos analfabetos plenos, outros 40 milhões de brasileiros não chegaram a ultrapassar os quatro primeiros anos de estudo e permanecem analfabetos funcionais, de modo geral sem capacidade para interpretar um texto curto e simples.
Para os participantes da audiência pública, que analisaram o tema pela ótica dos direitos humanos, o analfabetismo representa a violação de um direito fundamental da pessoa num mundo que passou à "era do conhecimento". Isso porque, quando despojado de um padrão básico de formação, o indivíduo não reúne condições de acessar e exercer plenamente outros direitos fundamentais, inclusive deter informações para votar com consciência.
- Creio que o debate ajudou na ideia de criar um clima de indignação em relação ao quadro brasileiro vergonhoso do analfabetismo, que nos coloca entre os dez países com maior número de analfabetos no mundo – avaliou ao fim o senador Cristovam Buarque (PDT-DF).
Lei de Responsabilidade
O senador, que foi o propositor da audiência, falou de “indignação” assim que abriu os trabalhos. O sentimento foi compartilhado pelos convidados à audiência, de professores especialistas a representantes governamentais. Depois, a título de solução, houve apoio à ideia de uma “Lei de Responsabilidade Educacional”, já prevista em projeto legislativo do próprio Cristovam. Além de fixar compromissos para a erradicação do analfabetismo, o texto prevê punições administrativas para os gestores públicos que deixassem de fazer sua parte.
Aída Maria Monteiro Silva, do Comitê Nacional de Educação em Direitos Humanos, salientou que os direitos humanos são “indivisíveis e interdependentes”, não podendo haver supressão de qualquer um deles. Segundo ela, o analfabetismo é um fator de “vulnerabilidade”, que acaba deixando a pessoa “à margem das possibilidades” da vida social.
- A educação é bem social do qual não podemos abrir mão e seu objetivo não se reduz à formação de capital humano e da empregabilidade. Precisamos de educação que contribua para a formação da personalidade do ser humano com respeito aos direitos humanos e à democracia – defendeu.
Invisibilidade
Ex-reitor da Universidade Nacional de Brasília (UnB), o professor José Geraldo de Souza Júnior observou que o analfabetismo no país ainda se encontra num “campo de invisibilidade”, entre as situações “naturalizadas” e que não sensibilizam de forma mais contundente a sociedade. A seu ver, a explicação pode ser encontrada na própria história do país, que passou pela experiência colonial e a escravidão e chega aos tempos atuais sem transformar radicalmente o caráter excludente de suas estruturas.
Hoje coordenador do Núcleo de Estudos da Paz e Direitos Humanos da Universidade de Brasília da UnB, José Geraldo salientou, no entanto que leis, ideologias e estruturas passam por permanente crítica e acabam absorvendo novas dimensões. A seu ver, o processo histórico está evoluindo para formas de integração, e não de exclusão. Segundo ele, importantes pensadores hoje apontam para um novo conceito de conceber o desenvolvimento, dentro de uma visão de liberdade e de afirmação de direitos.
- Isso significa eliminar os obstáculos à humanização do sujeito, como a fome, a falta de moradia, a discriminação social e racial e o analfabetismo – ressaltou.
Brasil Alfabetizado
Pelo Ministério da Educação, Mauro José da Silva, diretor de Políticas de Alfabetizações de Jovens e Adultos, disse que também se encontra na mesma posição dos “indignados”. Depois, salientou que a pasta da Educação vem tentando conduzir da forma mais adequada possível soluções para o desafio do analfabetismo, por meio do programa Brasil Alfabetizado. Apesar das dificuldades, ele disse que o programa vem sendo reconhecido como referência mundial.
Mauro da Silva afirmou que o país já conta com boas leis e estudos a respeito do problema. No entanto, prefeitos e secretários de educação ainda não compreendem nem se empenham o bastante na adoção das estratégias definidas, no interesse de toda a sociedade.
- Se a gente não contar com instrumentos de responsabilização, não vamos conseguir tratar a alfabetização de jovens e adultos como verdadeira prioridade – afirmou.
Voluntariado
Numa crítica ao Brasil Alfabetizado, Aída Maria Monteiro Silva disse que não é mais possível admitir programas de alfabetização de jovens e adultos apoiados em alfabetizadores voluntários. Em sua avaliação, o assunto deve ser tratado com profissionalismo, o que exige a mobilização de professores por meio de concursos e capacitação especial. Mauro respondeu que, diante do tamanho do desafio do país na área, atuar com voluntários não é “descompromisso”, mas algo “viável”.
Salete Maria Moreira Aldrighi, que representou a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, observou que o papel desse órgão é o de articular diferentes áreas de governo, para assegurar a proteção aos direitos humanos, com base no Plano Nacional dos Direitos Humanos. Para Cristovam, no entanto, a SDH ainda “ignora” a questão do analfabetismo como uma violação de direitos. Salete, em seguida, deixou claro que a secretaria se dispõe a ser parceira na articulação de ações mais específicas sobre o problema do analfabetismo.
Violações derivadas
Para reforçar sua visão de que o analfabetismo atenta contra os direitos humanos, Cristovam listou 19 diferentes tipos de violações que entende decorrer da inaptidão para ler e escrever. Começou com o direito de “ir e vir”, diante da dificuldade que o iletrado tem de saber o destino de um ônibus ou linha de trem. Incluiu ainda o “direito ao emprego” a seu ver "praticamente nenhum no mundo de hoje”, e até o “direito de não ser torturado”, pois entende que os embaraços que analfabeto enfrenta dia-a-dia representa uma “tortura mental da mais forte gravidade”.
O senador defendeu ainda a federalização do ensino básico, a seu ver uma saída para uniformizar a qualidade do ensino, diante da incapacidade de resposta de estados e municípios pauperizados. Ele também apresentou aos convidados questões e críticas encaminhadas por espectadores da TV Senado, encaminhadas por meio dos canais interativos da Casa."

A guerra medieval do Estadão contra a democracia participativa, por Marco Aurélio Weissheimer

A história da educação de pessoas jovens e adultas no Brasil é atravessada por experiências que se fundam nos princípios da democracia e da construção coletiva. Nos anos 1960, a defesa desses princípios implicou na perseguição de muitos militantes que atuavam em projetos educativos pensados e executados compromissados com essa perspectiva. Depois de superada a ditadura militar, essa força participativa impulsionou ações que tornaram a EJA uma modalidade da educação básica e um direito fundamental. Nos anos 1990, fóruns de EJA foram criados em todo o país para se tornarem espaço de elaboração e pressão sobre o poder público para garantir esse direito. Assim, a iniciativa dos setores conservadores em combater o decreto presidencial que cria a Política Nacional de Participação Social não deve ser visto como um movimento de pouca monta ou que nada nos interessa como educadores(as) da EJA.
Assim, estamos publicando matéria do sítio Carta Maior, sobre o assunto, que consideramos de grande valia como contribuição para a discussão, pois debate o posicionamento de setores influentes da mídia local, que têm protagonizado forte oposição ao decreto.

"O jornal Estado de São Paulo abriu guerra contra a Política Nacional de Participação Social, anunciada no final de maio pela presidenta Dilma Rousseff. Há dias, o jornal vem bombardeando a proposta, afirmando que a “instituição de conselhos populares abriria o risco de criação de um poder político paralelo” no país. O Estadão recorreu a juristas afinados com sua tese para reforçar esses ataques: “A lista de críticos inclui o ministro do STF Gilmar Mendes, que chama o decreto de autoritário, e o ex-ministro da Corte Carlos Velloso, que vê na iniciativa uma coisa bolivariana, com aparência de legalidade”, afirma matéria publicada no último sábado. As críticas do jornal beiram o ridículo ao sugerir que Dilma estaria criando espécies de soviets para acabar com o Parlamento.

O jornal de São Paulo abraça um discurso medieval, retomando um debate que já foi superado inclusive no âmbito de organismos internacionais como o Banco Mundial e a própria Organização das Nações Unidas (ONU). Esse debate ocorreu aqui no Rio Grande do Sul no final dos anos 80, quando o governo Olívio Dutra instituiu o Orçamento Participativo em Porto Alegre. Os mesmos argumentos requentados agora pelo Estadão como se fossem uma grande novidade, foram utilizados na época pelos adversários da ideia de democracia participativa, como se ela fosse acabar com a atividade parlamentar. O Orçamento Participativo cresceu, se expandiu para outras cidades, foi implementado em nível estadual, sem que isso significasse o fim de câmaras de vereadores ou assembleias legislativas.

Hoje o Rio Grande do Sul tem um sistema de participação que combina conselhos, participação direta e digital, sem que isso tenha provocado o menor arranhão na democracia representativa. Pelo contrário, ajuda a qualificar o sistema democrático como um todo que atravessa um período de forte crítica na sociedade. Essas práticas de democracia participativa vêm recebendo nos últimos anos sucessivos prêmios de órgãos como ONU e Banco Mundial. O reacionarismo atávico do Estadão parece não conhecer limites, ao retomar um debate completamente superado no muno, ou seja, a combinação da representação com a democracia direta, sem qualquer prejuízo para a primeira. O que não parece superado é a aversão ideológica inesgotável do jornal paulista à qualquer coisa que signifique ampliação e qualificação da democracia. O cheiro da naftalina retirada das gavetas que apoiaram o golpe de 64 impregna os textos publicados agora contra a Política Nacional de Participação Social.

A aversão é tanta que não suporta sequer pequenos avanços neste terreno. Não é por acaso que a Reforma Política não avança no Congresso Nacional. As mesmas vozes e os mesmos argumentos que se erguem agora contra a proposta de Dilma, se manifestaram quando a presidenta apresentou, no ano passado, a proposta de realização de um plebiscito e de uma Assembleia Nacional Constituinte Exclusiva para fazer a Reforma Política. A manutenção do atual modelo de democracia no Brasil parece ser vital para que o conservadorismo representado pelo Estadão continue desfrutando de privilégios dos quais não quer abrir mão, entre eles, a concentração da propriedade dos meios de comunicação e dos recursos destinados a esse setor.

Defensor da Política Nacional de Participação Social, apresentada por Dilma Rousseff, e da convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte exclusiva para a Reforma Política, o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, dispara contra o que chama de reacionarismo e elitismo do Estadão:

"Está faltando para os juristas do Estadão ler a Constituição Federal e a própria Lei de Responsabilidade Fiscal, pois ali tem dispositivos legais claros,  incentivando a participação direta da comunidade na gestão dos negócios públicos. Às vezes o reacionarismo e o elitismo ofuscam o brilho de autores de grossos tratados sobre a democracia sem povo, que sempre consagraram a democracia como instrumento de dominação, não como processo vivo de promoção de Justiça e de combate às desigualdades sociais brutais que permeiam a nossa história".

A Unesco deve ser considerada pelo Estadão como uma perigosa organização comunista pois defende que é necessário reforçar práticas democráticas de construção coletiva como condição para construção de uma nova ordem social mundial. O organismo da ONU defende, há anos, propostas como: o fortalecimento da participação de movimentos sociais e outras organizações da sociedade civil no processo de tomada de decisões em nível de Estado e de governos; a criação de novas instâncias de regulação em nível nacional e internacional para fortalecer o controle e a participação da sociedade no Estado; abertura de espaços para atores não-estatais como forma de criar uma governança do sistema mundial baseada em princípios democráticos. São estes princípios que orientam a proposta apresentada agora pelo governo brasileiro e é contra isso que o Estadão e outras empresas de comunicação se levantam com seus juristas e intelectuais de plantão.

A ideologia conservadora e autoritária defendida pelo Estadão é, de fato, o maior obstáculo ao avanço da democracia no Brasil e a maior ameaça de retrocesso em relação ao ponto em que nos encontramos hoje. Essa ideologia promove diariamente a criminalização da política e dos políticos e combate incessantemente qualquer proposta de avanço democrático que melhore a qualidade da política praticada hoje no país. Essa combinação é o que há de mais nocivo para a democracia hoje no Brasil."

Brasileiro sofre para interpretar até bula

Publicado n'O Estado de S. Paulo, em 15 de junho de 2014

Índice de Letramento Científico mostra falta de domínio sobre conceitos básicos

Decifrar contraindicações de remédios é uma tarefa tão difícil que o consultor de vendas Sérgio Brant costuma jogar as bulas fora e perguntar direto ao médico. E ele não está sozinho. Quase dois terços dos brasileiros têm só conhecimentos básicos ou ausentes sobre a ciência que envolve situações cotidianas, como ler rótulos nutricionais, estimar o consumo de energia de eletrodomésticos ou interpretar os dados das bulas.
Isso é o que mostra o Índice de Letramento Científico, que calcula a habilidade das pessoas de aplicar conhecimentos científicos básicos em atividades rotineiras. A medição inédita foi desenvolvida pela Abramundo, empresa que produz materiais de Educação em ciências, em parceria como Ibope, o Instituto Paulo Montenegro e a ONG Ação Educativa.

Foram ouvidas 2.002 pessoas, entre 15 e 40 anos, nas nove principais Regiões Metropolitanas do País. Só 5% foram considerados proficientes, com domínio de conceitos e termos mais complexos, além da capacidade de interpretar fenômenos. “A linguagem das bulas é complicada, com muitos nomes científicos”, diz Brant, de 67 anos, que toma medicamentos para diabetes e hipertensão. “Preciso reler para entender”, confessa. “Ou então jogo a bula no lixo e pergunto ao médico.” Para evitar distorções nos resultados, pelas dificuldades de interpretação de texto, participou do estudo apenas quem tinha mais de quatro anos de estudo.

Os entrevistados responderam a perguntas e declararam as próprias habilidades. Isso levou a uma disparidade curiosa: o desempenho nos testes revela dificuldades bem maiores do que as admitidas. Segundo o levantamento, o nível de Escolaridade maior não significa necessariamente intimidade com as ciências.Dos entrevistados com curso superior, 41% tinham competência ausente ou elementar.

A proporção de pessoas nesse grupo salta para 66% entre aqueles com Ensino médio completo e chega a 79% para quem só terminou o fundamental. “O Ensino médio não fez tanta diferença”, analisa o presidente da Abramundo, Ricardo Uzal.“Parece que o conteúdo mais fixado é o dos primeiros anos na Escola”, afirma.

Ciência na prática. Na opinião dos coordenadores do estudo,a competência alta em conhecimentos científicos práticos deixa as pessoas com maior senso crítico no consumo, na preservação ambiental e na saúde. “No supermercado, sempre leio os rótulos dos alimentos. E me preocupo coma quantidade de calorias, de gordura”, diz a estudante de Arquitetura Romila Rocha, de 18 anos, que nega dificuldades nesse campo. “Quando meus pais têm problemas desse tipo, eles correm até mim para pedir ajuda”, diz a jovem,que atribui seu desembaraço científico às recordações do colégio.“Era boa em Física,Química e Biologia”, lembra.

Mais tempo longe da sala de aula, Brant garante que seu aprendizado de ciências foi no trabalho. “O que sei foi por experiência prática, no contato com a indústria”, afirma ele, que já atuou no comércio de suplementos alimentares. O mercado de trabalho,destaca o estudo, é justamente a área em que o traquejo científico pode render mais frutos. “Só quem está no grupo dos 5% (proficientes) consegue questionar e inovar”, explica Ricardo Uzal. Entre os entrevistados com cargos gerenciais só 12% eram proficientes. No grupo de profissionais liberais, empresários, comerciantes ou proprietários rurais, o total foi de 15%.

Escolas precisam conectar conteúdo e realidade

Os tropeços nas ciências dão pistas sobre dificuldades de Professores em conectar os conteúdos à realidade dos Alunos. “A Educação científica é apartada do mundo real”, avalia o físico e Educador da Universidade de São Paulo (USP) Luiz Carlos Menezes. “Isso começou a mudar só nos últimos anos”, diz ele, que ajudou na elaboração dos questionários da pesquisa. Para a especialista em Educação Científica da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Alice Helena Pierson, a responsabilidade não é só da Escola. “A população adulta, em geral, não é estimulada a se posicionar em debates técnicos ou científicos.”

Também falta mais interesse pelo tema: 39% não gostam de estudar ciências ou ler texto técnico. Outro ponto preocupante, na opinião de Alice Helena, é a diferença entre resultados dos testes e da autodeclaração. “Se a pessoa acha que sabe, não tem noção das limitações e deixa de buscar ajuda”, diz.

Consulta Pública ao Relatório de Educação Para Todos no Brasil 2000-2015

No ano de 2000, liderados pela UNESCO, reunidos em Dakar, 164 países assumiram o compromisso de perseguir seis metas de Educação para Todos até 2015. Tais metas são relacionadas ao cuidado e à educação na primeira infância; educação primária universal; habilidades de jovens e adultos; alfabetização de adultos; paridade e igualdade de gênero; e qualidade da educação. Aproximando-se do prazo para alcance das metas, a UNESCO solicitou aos países que produzissem um relatório nacional apresentando o que se alcançou no período (resultados) e como se alcançou (estratégias), bem como os desafios apresentados para o período pós-2015.

Mais que um relatório do governo, o documento deverá constituir um relatório do País. Desse modo, a participação da sociedade civil, por meio de suas diferentes organizações, associações, entidades e indivíduos, é fundamental. O documento, ora apresentado, constitui uma versão preliminar da análise da situação do Brasil em relação às metas de Educação para Todos e hoje, 06/06/2014, é submetido à consulta pública até 19/06/2014. Com as críticas e sugestões da sociedade civil o documento será analisado, revisto e aprimorado, de modo que o resultado final retrate a perspectiva do Brasil sobre sua própria trajetória. Em seguida, o relatório final será encaminhado à UNESCO. O Ministério da Educação aguarda com expectativa esse diálogo com a sociedade sobre os avanços e desafios da educação brasileira.

http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/about-this-office/single-view/news/public_inquiry_on_the_education_for_all_global_report_in_brazil_2000_2015/#.U6HUVpRdU9a

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Negar escola, negar direito, negar esperança a jovens e adultos

Publicamos aqui, artigo do prof. Alessandro Augusto de Azevêdo, publicado originalmente em seu blog e no sítio do SINTE-RN, o qual reproduzimos aqui por tratar de uma questão da realidade da EJA em Natal.


Com o início deste ano letivo, as escolas da rede pública municipal de Natal receberam um comunicado da Secretaria de Educação dando conta de quais, entre elas, deixariam de oferecer matrículas na modalidade EJA (Educação de Jovens e Adultos). No documento, ainda há indicações no sentido de que determinadas turmas de uma escola serão absorvidas por outras escolas.
As principais razões para tal medida, segundo documento da própria secretaria, são: o chamado “desperdício” de matrículas, isto é, quando há uma matrícula que não corresponde à frequência ao longo do período letivo; e – pasmem – “problemas de gestão na condução do processo educativo na EJA, provocando ineficiência nessa modalidade”. Em síntese, a secretaria diz que as pessoas não estão permanecendo na escola depois de matriculadas e há uma ineficiência de sua gestão. Como resposta, ao invés de enfrentar os problemas, a secretaria resolve “jogar a toalha” e reduzir a oferta de matrículas, certamente uma medida mais fácil administrativamente, mas terrível do ponto de vista político-pedagógico.
Imaginemos o que aconteceria se a secretaria de saúde registrasse uma redução do atendimento de pessoas pelos postos de saúde, chegasse à conclusão que esse fenômeno se deveria não à melhoria das condições de saúde das pessoas, mas pela péssima organização e prestação dos serviços e ao invés de melhorar e solucionar os problemas das unidades de saúde, simplesmente as fechasse ou reduzisse a capacidade de atendimento.
Infelizmente, entre as razões apontadas pela secretaria para a redução de matrículas na EJA, não está o aumento das taxas de escolarização entre jovens e adultos considerados “fora de faixa”. Provavelmente a secretaria sequer tenha condições de fazer uma afirmação dessas porque uma de suas tarefas mais elementares, prevista no art. 5o. da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, é a de “recensear a população em idade escolar para o ensino fundamental, e os jovens e adultos que a ele não tiveram acesso”, bem como “fazer-lhes a chamada pública. A inoperância oficial em relação a isso revela o vazio de uma política para a modalidade EJA. Assim, ao invés de convocar as comunidades de bairro, os sujeitos jovens e adultos matriculáveis, os professores e os gestores, à construção de um processo de reflexão e reformulação da modalidade, a secretaria opta em aprofundar os índices históricos de redução de matrícula, dado que o número de matrículas na rede municipal de ensino, que em 2001, era de 14205, em 2012 chegou a 6.865, uma queda de 106,9%.
A questão entrou na pauta de discussões entre o Sindicato dos Trabalhadores em Educação, mais pelo impacto que a medida tem sobre a ocupação da carga horária dos professores (provocaria um “desperdício” de professores no quadro), do que por uma percepção da natureza dos problemas e da forma de resolvê-los.
Sabe-se que os problemas que atingem a EJA não são exclusivos da rede pública municipal de Natal. O processo de fechamento de turmas nessa modalidade ocorre em outros municípios, na rede pública estadual e em outras partes do Brasil. Mas o que temos assistido é que há uma atitude generalizada de “pouco caso” – para dizer o mínimo – para com a superação dos problemas.
A EJA, hoje, não é mais uma modalidade formada por “velhinhos analfabetos”, mas por adultos e, sobretudo, jovens, alguns dos quais não tiveram acesso à escola ou tiveram uma trajetória escolar irregular quando crianças e/ou adolescentes. Mas, o que temos (e em larga escala) são aqueles sujeitos “em situação de fracasso escolar”, expulsos do ensino regular para a EJA pelo próprio sistema educacional. E os tais índices de “desperdício” apenas são a indicação estatística de um problema que atinge não apenas a modalidade EJA mas toda a educação básica, especialmente nos seus anos iniciais.
Há medidas possíveis a serem tomadas. No tocante aos profissionais que atuam na EJA, é de conhecimento geral que há uma massa de educadores que não tiveram contato com a temática da EJA em sua formação inicial e mesmo após terem assumido seus cargos na rede pública. Mas há, também, um conjunto deles que traz no currículo a conclusão de uma especialização em EJA, mas que não estão trabalhando na modalidade. Assim, é preciso fazer uma chamada entre esses últimos para que se saiba quais desejam trabalhar na EJA e quantos precisam (e desejam) fazer uma pós-graduação para uma melhor atuação na área.
Em fins da década passada, iniciou-se um movimento importante em toda a rede no sentido de se repensar o currículo da EJA mas que a catastrófica gestão municipal passada simplesmente ignorou. É chegada a hora de se chamar os professores e gestores para uma avaliação desse currículo e se pensar os desafios de implementação de uma nova proposta que reflita os anseios dos professores e as expectativas de saberes e conhecimentos dos sujeitos educandos. E que claramente se conceba a partir da compreensão de que a EJA não pode ser vista como um Ensino Fundamental de “segunda categoria”. A conquista de sua inserção na LDB como modalidade da educação básica não teve por finalidade copiar para a EJA os princípios e práticas do ensino regular. A construção da EJA como modo específico de se fazer educação escolar para um determinado sujeito ultrapassa contorcionismos adaptativos de conteúdos, metodologias, organização pedagógica, prática docente, tempo e espaço escolar do ensino regular. Ademais, é preciso lembrar que a maioria dos jovens e adultos já foram vítimas da rigidez, do tempo e da dinâmica do ensino regular, de modo que reproduzi-la na EJA é condiciona-los a uma nova interrupção na trajetória escolar.
Mas há de se ter, principalmente, uma mobilização, um recenseamento e chamada pública dos educandos, a fim de se oferecer educação escolar pública para aqueles que e a procuram, pois a procura pela escola expressa uma esperança. Esperança dos que ocupam um lugar marginal em nossa sociedade. A opção em atendê-los e buscar qualificar esse atendimento é uma opção não apenas pedagógica, mas política, na medida em que a condição que vivem expressa, antes de tudo, uma opção política de nossas elites em não oferecer às populações subalternas uma educação pública de qualidade.

Proposta de evento EJA em Movimento

Olá colegas,

Abaixo a proposta de evento que estamos amadurecendo. Como já divulgamos anteriormente, trata-se de um EVENTO ABERTO A EDUCADORES atuantes com pessoas jovens e adultas, voltado à reflexão de questões em torno dessa realidade. A ideia é que o evento aconteça durante o período da CIENTEC – Semana de Ciência, Tecnologia e Cultura da UFRN, entre os dias 21 e 24 de outubro deste ano.
Mas não queremos te convidar para assistir a um evento com uma pauta pré-definida por nós. Gostaríamos de contar contigo em sua construção, por isso com esse primeiro contato estamos te trazendo uma proposta de pauta, para ser objeto de sua análise e opinião.
A proposta que trazemos intenta debater algumas questões gerais, conhecer experiências didático-pedagógicas inovadoras vivenciadas na rede pública e buscar alternativas de organização coletiva dos educadores atuantes nessa modalidade de ensino.
A programação abaixo reflete um primeiro amadurecimento do grupo EJA em Movimento. Estamos abertos à parcerias que ajudem a dar ao evento as condições ideais à sua realização. Pensamos que ele pode se compor de dois momentos: um, durante as tardes, em que pudéssemos conhecer experiências inovadoras em EJA realizadas por colegas professores com atuação na rede pública, que antecipadamente inscreveriam suas respectivas experiências para serem socializadas. O segundo momento seria durante as noites com Mesas Temáticas, em torno de algumas questões que consideramos desafiadoras nos dias atuais.
   
1º. Dia
(tarde) Oficina “Alfabetização de jovens e adultos numa perspectiva freireana: a experiência do MOVA no RN”.
(tarde) Relatos de experiências exitosas e pesquisas em EJA na rede pública de educação.
19h, Conferência de abertura: “Uma panorâmica sobre a EJA no Rio Grande do Norte”.

2º. Dia
(tarde) Oficina “Alfabetização de jovens e adultos numa perspectiva freireana: a experiência do MOVA no RN”.
(tarde) Relatos de experiências exitosas e pesquisas em EJA na rede pública de educação.
19h, Conferência: “A EJA, a escola e a cultura juvenil: proximidades e distâncias”

3º. Dia
(tarde) Oficina “Alfabetização de jovens e adultos numa perspectiva freireana: a experiência do MOVA no RN”.
(tarde) Relatos de experiências exitosas e pesquisas em EJA na rede pública de educação.
(tarde) Reunião para organização de uma Rede de Educadores de Pessoas Jovens e Adultas.
19h, Conferência: “Currículo na EJA: a que(m) será que se destina?”

Quem quiser fazer sugestões pode postar comentários sobre esta ideia apresentada acima ou participar de nossa primeira reunião para discutir o assunto, próximo dia 16 de julho, às 9 horas na sala 32 (3o andar), no Centro de Educação da UFRN.
Em breve, divulgaremos nossas reuniões ordinárias abertas a todos que queiram participar desse processo.

Abraços a todos(as).

terça-feira, 10 de junho de 2014

As barreiras além dos muros da escola

Olá colegas,

Publicamos, aqui, matéria publicada pelo Correio Braziliense, retrantando a realidade da EJA da capital federal. Realidade não muito diferente da que conhecemos e vivemos aqui em Natal e no nosso Estado.

Por Daniela Garcia, Correio Braziliense, publicação em 19/05/2014.

Daqui a três anos, quando se formar no ensino médio, Catiane Nascimento, 25 anos, pretende ser chamada de mãe pela única filha, 3 anos. Desde que a menina nasceu, as duas estão separadas porque a piauiense, radicada em Brasília, dorme, de segunda à sexta-feira, na casa onde trabalha com o babá na Asa Sul.Desde fevereiro, ela decidiu retomar os estudos no Centro de Educação de Jovens e Adultos da Asa Sul (Cesas).O plano, de médio prazo, é deixar de vez essa rotina de distância da menina. “É chato não ser chamada de mãe. Por isso, estou estudando. Quero ter mais tempo para ficar com ela”, argumenta.

Catiane faz parte de um grupo de milhares de brasileiros que tenta, com dificuldade, voltar aos estudos por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA). A partir de hoje, oCorreio publica a série de reportagens “ODifícil Retorno” que conta a trajetória de pessoas que enfrentam desafios além dos muros da escola para completar o ensino regular. Segundo dados de 2011, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE, o Brasil tem 56,2 milhões de pessoas com mais de 18 anos que não frequentam a rede de educação e não têm o ensino fundamental completo. Para elas, o sistema público indicado são as turmas da EJA. No entanto, a adesão à política vem diminuindo nos últimos anos. Dados do Censo Escolar, divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), mostram que, em2007, haviam 4.985.338 alunos matriculados na rede; Em 2013,esse número caiu para 3.772.670. Em seis anos, houve uma diminuição de 25%nas matrículas do sistema.

Catiane está longe da escola há 10 anos, desde que deixou o Piauí para trabalhar em Brasília. Enquanto cuida de três crianças no trabalho, a filha, Lorrane, fica sob os cuidados da amiga Eva de Cássia, no Recanto das Emas, a 25km do Plano Piloto.Desde janeiro, a babá cursa, à noite, a 5ª série do ensino fundamental. No sistema da EJA, Catiane pode fazer uma série a cada seis meses. Para ela, faltam, no mínimo, três anos para se formar no ensino médio. Até lá, a babá deve continuar a pagar R$ 250 por mês à amiga, com quem divide o aluguel da casa no Recanto. “Ela já têm três filhos. Eu pago para ela cuidar da minha também. Aí, a Lorrane acaba chamando ela de mãe e eu de Cátia”, conta.

Entre os estudantes do período noturno, é comum encontrar casos de renúncia familiar em razão do tempo dedicado ao estudo. O professor de história Júlio César de Castro costuma dizer que esses jovens e adultos devem transpassar “um muro bem alto ali fora” toda vez que vão para aula. “Eles têm que vencer o muro do cansaço, das obrigações do trabalho ou do abandono em casa para estar aqui”, comenta.

Professores e especialistas da EJA afirmam que a maioria dos alunos desiste diante dos obstáculos do cotidiano. Ao observar de perto a evasão escolar em um colégio público de Planaltina, Roseane Freitas, à época graduanda em licenciatura em ciências naturais pela Universidade de Brasília (UnB), resolveu investigar os motivos da saída dos estudantes. “Eu estava fazendo estágio e percebi que os alunos iam evadindo ao longo do semestre. No fim, ficavam poucos. Eu queria descobrir quais eramas dificuldades”, justifica.

Abandono
Publicada em janeiro deste ano, a pesquisa tem a intenção de revelar a percepção dos próprios estudantes sobre a evasão escolar. Foram aplicados 48 questionários para três turmas do ensino noturno, com idades que variavam de 15 a 55 anos. A maioria deles tinha entre 15 e 35 anos (70%) e era de trabalhadores (75%) em ocupações diversas como manicure, doméstica, motorista e operador de caixa.

Grande parte dos entrevistados (39,6%) apontou o desafio de conciliar trabalho, família e estudo como um dos maiores entraves para se manter na EJA. O segundo maior obstáculo seria o horário de saída do emprego (12,5%) que fica muito próximo da hora do início das aulas. “Vários alunos saem do trabalho e vão direto para a escola, às vezes, chegam atrasados ou entram no segundo horário.Muitos dependem do transporte público que se mostra insatisfatório para atender as necessidades da população”, argumenta Roseane.Na terceira colocação, os alunos elegeram o cansaço (10,4%) entre as razões do abandono.



“Este problema educacional não está associado a umaspecto particular, mas envolve vários contextos: a escola, a família, a cultura, as políticas econômicas e sociais e ao próprio aluno”, avalia a pesquisadora.

Interrupções são constantes

Interromper mais de uma vez os estudos é quase regra entre os estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA), dizemespecialistas do setor. Hoje na sala de aula, Joelma Santos, 38 anos, confirma a tese: “Eu já parei quatro vezes”. A garçonete explica que dois fatores foram determinantes para mais essa tentativa. No emprego, o patrão prometeu um aumento de 10% no salário, se ela concluísse o ensino médio. E em casa, a família incentivou. “Minhas filhas me irritaram muito até eu me matricular”, diz, ao esboçarumsorriso.

Como objetivo de manter os alunos em sala, professores tendem a ser mais flexíveis. A modalidade, por exemplo, não conta com boletim ou conselho de classe. Contudo, a gestão escolar, seja estadual, seja da prefeitura, tem a autonomia na instrução de regras das escolas, segundo a Lei de Diretrizes e Bases de 1996. A política mais maleável nem sempre, entretanto, é praticada nas escolas do Brasil, comenta a professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Analise da Silva. “Já vi escolas que só liberam a merenda às 20h40 para segurar os alunos na escola. Eles, emsua maioria, vêm direto do trabalho e querem comer antes de estudar. Não tem por que inventar essas regrinhas. A EJA não está lidando com crianças.”

Membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em EJA da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Debora Cristina Jeffrey também defende que os educadores estejam atentos à realidade dos alunos. Segundo ela, os professores têm o desafio de adequar o currículo à vida dos trabalhadores, com pouco tempo disponível para estudo. Nas escolas do Distrito Federal, os alunos ouvidos pelo Correio dizemque é com um os docentes não exigirem dever de casa ou os deixarem fazer prova com consulta.

Entre os estudantes do Cesas, o professor de história Júlio César de Castro é conhecido por ser flexível e entender a situação de cada aluno. Com a folha de chamada na tela do computador, ele mostra inúmeros F, que representam as faltas. “Essas aqui são mãe e filha. A filha teve bebê e a mãe teve de se ausentar para ajudar”, exemplifica.

Na última quarta-feira, Júlio César foi surpreendido por uma aluna quando estava no comando da última aula da classe. “Eu estava explicando a matéria, ela veio em minha direção e disse: ‘Professor,me desculpe. Eu vou embora, estou cansada demais’. Dá vontade de responder: ‘Me desculpe, você’. Porque foi a sociedade que tirou esse direito dela”, conta. (DG) Colaborou Renata Mariz

Estava explicando a matéria, ela veio em minha direção e disse: ‘Professor,me desculpe.Eu vou embora, estou cansada demais’.Dá vontade de responder: ‘Me desculpe, você’. Porque foi a sociedade que tirou esse direito dela”

Júlio César de Castro,
professor de história do Cesas

PALAVRA DE ESPECIALISTA
Processo por toda a vida
Na história contemporânea recente da educação de jovens e adultos no Brasil há duas marcas fortes: a Constituição Federal de 1988 em que o ensino fundamental foi estabelecido como direito público subjetivo, inclusive para os que não tiveram oportunidade de cursá- lo ou concluí-lo na “idade própria” e a Lei de Diretrizes e Bases de 1996 que garantiu a oferta de educação escolar regular para jovens e adultos, com características e modalidades adequadas às suas necessidades e disponibilidades. Juntas, garantiram o direito à escolaridade em reconhecimento da grande dívida histórica para com os jovens e adultos não escolarizados.

Sem diminuir o peso da dimensão escolar, há umcrescente reconhecimento da contribuição de outros processos de aprendizagem, não estritamente escolares, para o desenvolvimento do potencial e da autonomia de cada joveme adulto:a formação inicial e continuada para o trabalho, a educação ambiental, a educação  cidadã, a educação para os direitos humanos, os esportes, as atividades de leitura e as bibliotecas, assim como as atividades culturais. Essa dimensão não escolar abrange todos os espaços e atividades em que, como jovens e adultos, aprendemos a desenvolver a nossa inteligência potencial e a contribuir para a vida cultural, social e produtiva da sociedade. A satisfação dessa diversidade de necessidades de aprendizagem e a garantia da inclusão dos que ainda não tiveram o seu direito à educação respeitado, requerem uma educação ao longo e ao largo da vida.

TIMOTHY D. IRELAND, coordenador da cátedra daOrganização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) da EJA na Universidade Federal da Paraíba

Apenas um começo de conversa

A decisão de confeccionar um blog soma-se a outras decisões tomadas por um grupo de pessoas preocupadas com a educação de pessoas jovens e adultas que durante um semestre se reuniram quinzenalmente no componente curricular "Ateliê de Pesquisa: Saberes e Práticas Educativas", do Programa de Pós-Graduação em Educação, sob a responsabilidade do prof. Alessandro Augusto de Azevêdo, para discutir diversas questões em torno da problemática da EJA em nosso país e, particularmente, em nosso Estado e em Natal.
Como desdobramento dessas discussões nasceu a ideia de se conformar como grupo voltado à refletir sobre a educação de pessoas jovens e adultas, para além das atividades da disciplina. Nesse sentido, a primeira tarefa posta foi o de organizar um evento que pudesse congregar outros profissionais atuantes nessa modalidade de ensino.
Assim, pensamos em um evento, cuja dinâmica fugisse a um modelo muito comum, no qual um grupo pequeno pensa a pauta e depois faz uma ampla divulgação. Pensamos diferente: optamos em começar a articular pessoas em torno da temática mais geral (a educação de pessoas jovens e adultas, através dos mais diversos mecanismos (contatos pessoais, endereços eletrônicos, grupo no Facebook e este blog), para viabilizar que todos juntos pudéssemos definir a pauta desse evento. A única definição que temos é que ele deverá acontecer dutante o período da CIENTEC (Feira de Ciência, Tecnologia e Cultura) da UFRN, que ocorrerá entre os dias 21 e 24 de outubro.
Este evento pretende preencher a lacuna atual de um espaço que congregue em torno da reflexão sobre a EJA em nosso Estado e, particularmente, em Natal, professores atuantes nessa modalidade, as instituições formadoras e as instituições oficiais da rede pública, bem como outros educadores e instituições da educação não-formal que atuam junto ao público de jovens e adultos. Mas, seu êxito será dado pela sua continuidade, congregando todos esses sujeitos após sua realização efetiva. Assim, ele não tem um fim em si mesmo, mas pode se tornar algo maior, mas dependerá exclusivamente dos próprios sujeitos que dele vierem a participar.
Com este blog (além do grupo criado no Facebook) pretendemos começar a ampliar o máximo possível, as reflexões e preocupações em torno da temática da EJA que nos movem. Compartilhá-los neste blog é uma forma de, também, se abrir a outros colegas que queiram expressar suas inquietações e, para isso, estaremos abertos a receber textos, indicações de sítios, comentários, informes, etc.
Este blog não é do grupo que o administra. É território de todos que queiram conosco dialogar e empreender um repensar da EJA como modalidade da educação básica e campo de reflexão pedagógica. É território dos que desejam, nesse processo, reinventar as formas de se lutar em favor dessa modalidade, escapando das amarras institucionais e se articulando como "movimento", onde apenas o desejo de lutar e cuidar dessa modalidade sejam os critérios de pertencimento. Isto é, quaisquer pessoas que tenham consciência de que lutar por uma educação de pessoas jovens e adultas de qualidadeca é, principalmente, ter um compromisso essencialmente político com segmentos sociais que vivenciam situações de exclusão dentro da escola e fora dela.

Abraços a todos e todas

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