sábado, 25 de outubro de 2014

Manifesto EJA em Movimento

O seminário EJA em Movimento foi um sucesso absoluto. Auditório do Centro de Educação sempre lotado para nossas conferências. Boa participação na Oficina de Alfabetização de Jovens e Adultos numa Perspectiva Paulofreireana e no momento de socialização de relatos de experiência. A equipe que pensou e conduziu o evento está de parabéns pela qualidade geral do evento.
Como não se tratou apenas de "mais um evento", na quinta à tarde tivemos uma reunião de organização do grupo no sentido de novas ações para o próximo período. Nesse sentido, foi deliberado a construção de um documento, a ser apresentado ao governador eleito a partir de amanhã, contendo uma leitura do cenário da EJA no Estado, a apresentação de propostas, de modo que compromissos sejam assumidos em relação a essa questão.
Também foi aprovado a divulgação de um Manifesto de criação do movimento (reproduzido logo abaixo), que foi lido na sexta feira à noite, antes da conferência de encerramento.
A agenda do grupo agora é a seguinte: dia 13 de novembro, às 14h30min, na sala 32, 3o. andar, no Centro de Educação, teremos uma reunião do EJA em Movimento para avaliar o evento e definir mecanismos e estratégias de divulgação do Manifesto e do próprio movimento.
No dia 27 de novembro, teremos uma reunião para aprovarmos a versão final do documento a ser entregue para o novo governador eleito, bem como a estratégia de coleta de assinaturas desse documento, divulgação e ato de entrega. QUAISQUER COLEGAS QUE SE SINTAM COMPROMETIDOS COM A CAUSA DA EJA PODEM PARTICIPAR dessas reuniões e, se não puder participar, pode divulgar junto às instituições e colegas, através dos diversos mecanismos das redes sociais e correio eletrônico. Tão logo o documento esteja pronto daremos mais informes.

O Manifesto lido ontem é o que segue e foi assinado por 61 dos presentes na conferência de ontem. Caso alguém queira divulgá-lo em outros espaços e grupos é só enviar mensagem para o endereço eletrônico ejaemmovimento@gmail.com e receberá uma cópia.

EJA EM MOVIMENTO - MANIFESTO

Somos um coletivo de pessoas que compartilham uma mesma preocupação: o momento atual e os destinos da educação de pessoas jovens e adultas em nosso Estado e no Brasil. Sentimos-nos herdeiros do legado daqueles que em anos passados, a partir da mesma preocupação, implementaram neste chão ações que de tão significativas, correram mundo afora e se tornaram emblemáticas quando se fala em educação emancipatória. Somos herdeiros das ações cinquentenárias de Paulo Freire em Angicos e do prefeito Djalma Maranhão em Natal. E nos sentimos parceiros de todos quantos, nos últimos anos, têm investido energias no sentido de promover a educação de jovens e adultos como um direito humano universal e como prática pedagógica libertadora, vendo aí, uma das formas de se promover uma educação pública, gratuita, democrática, multicultural e com qualidade social.
Entendemos que a educação é, ao lado do trabalho, o processo social mais importante como formação dos humanos, independentemente de sua faixa etária. Assim, para nós, não há de se falar em “educação na idade adequada”, “educação na idade própria” ou “na idade certa”, como se existisse um tempo em que melhor se aprende e, consequentemente, um tempo em que aprender se torna uma missão quase impossível. Para nós, não se trata de um processo voltado apenas a crianças e adolescentes, mas que deve envolver jovens, adultos e idosos, tornando a educação, de fato, uma prática cultural que se estabelece por toda a vida e que diz respeito à formação de todos, irmanados em sua condição de humanos e sujeitos de direitos.
A EJA é uma modalidade da educação básica para onde acorre, parcela dos jovens estudantes que migram diretamente do ensino fundamental ou médio, em função de desistência ou reprovação. Ela, também, serve àqueles cuja trajetória pessoal de vida foi permeada por uma relação intermitente com o espaço escolar, resultado de opções condicionadas pela vulnerabilidade social, pelo desemprego e demais situações cuja essência está nos mecanismos de desigualdade social que nossa sociedade historicamente gestou. Com efeito, o número de analfabetos (funcionais ou absolutos) ou de pessoas com mais de 15 anos que não concluíram o ensino fundamental ou ensino médio, atinge cifras desafiadoras para toda a sociedade.
Porém, o que temos assistido tem sido um progressivo esvaziamento da EJA, através, principalmente, do fechamento de turmas nesta modalidade, pelos gestores públicos, como resposta ao que a linguagem técnica das secretarias denominam de “desperdício”, isto é, as pessoas se matriculam e não permanecem na escola depois de matriculadas. Do ponto de vista administrativo, fechar turmas e reduzir a oferta de matrículas frente ao suposto “desinteresse” dos sujeitos estudantes, certamente é a maneira mais fácil de lidar com o problema, mas do ponto de vista político-pedagógico é o mais terrível e, o pior, uma forma de se aprofundar a negação do direito à educação.
Sabemos que os tais índices de “desperdício” apenas são a indicação estatística de um problema que atinge não apenas a modalidade EJA, mas toda a educação básica, especialmente nos seus anos iniciais, de modo que não podemos lidar com este problema deslocado da própria forma como se conduz a educação básica como um todo.
Entendemos que a EJA não pode ser vista como um Ensino Fundamental de “segunda categoria” ou como “ensino de segunda chance”. A conquista de sua inserção na LDB como modalidade da educação básica não teve por finalidade copiar e “adaptar” para a EJA os princípios e práticas do ensino regular, mas construí-la como modelo pedagógico próprio.
Pensar um modo específico de se fazer educação escolar para um determinado sujeito ultrapassa contorcionismos adaptativos de conteúdos, metodologias, organização pedagógica, prática docente, tempo e espaço escolar do ensino regular, pois, é preciso lembrar, a maioria dos jovens e adultos já foram vítimas da rigidez, do tempo e da dinâmica do ensino regular, de modo que reproduzi-la na EJA é condiciona-los a uma nova interrupção na trajetória escolar.
Ao problematizar a EJA desta forma queremos deixar claro que somos um movimento político e pedagógico. Isto é, nossa atuação tem um sentido de crítica e proposição tanto dos aspectos pedagógicos, dos fazeres que cotidianamente são produzidos e reproduzidos em nossas salas de aula na rede de educação pública, como também no tratamento dessa modalidade no âmbito das políticas públicas.
Assim, nos propomos ser, ao mesmo tempo, espaço aberto para a reflexão e autoformação pedagógica de educadores que atuam na EJA, mas também, articulação política que se coloca ao lado e a serviço da promoção do direito à educação de homens e mulheres para quem esse direito foi ou está sendo negado.
A participação em nosso movimento é livre a qualquer sujeito que se reconheça nas lutas e objetivos que anunciamos aqui. E é com este espírito que nos colocamos à disposição do diálogo e à construção de ações conjuntas com quem quer que seja para que tenhamos uma educação pública de qualidade para os jovens e adultos de nosso Estado e, principalmente, de nosso município.

sábado, 18 de outubro de 2014

Sobre a Oficina de Alfabetização numa perspectiva freireana e outras informações.

Colegas,

A coordenação do evento EJA em Movimento, informa que:

a) A Oficina de Alfabetização em uma Perspectiva Paulofreireana tem vagas limitadas a 40 participantes;

b) A oficina foi incluída na programação do evento em razão de demanda externada por estudantes do curso de Pedagogia da UFRN e que, por isso, esses estudantes tiveram prioridade na inscrição para a referida oficina;

c) em razão de problemas no SIGAA, não era possível para a coordenação do evento, identificar que pessoas queriam se inscrever na oficina de alfabetização e quais queriam se inscrever nas demais atividades do evento, o que foi resolvido através de email que enviamos no dia 13 de outubro e respondido por mais de 70 participantes;

d) frente ao fato de que este número ultrapassava o limite de vagas da oficina, fomos obrigados a fazer uma seleção considerando como critérios principais: i) ser matriculado no curso de pedagogia da UFRN; ii) ser matriculado em alguma licenciatura da UFRN; iii) a ordem de inscrição;

e) publicamos ontem a listagem dos 40 selecionados, deixando bem claro que caso algum deles não estejam na sala H7, do Setor 1, às 8h30min, do dia 22, será imediatamente substituído por qualquer outro participante não inscrito na oficina, mas que esteja presente e disponível para participar dela;

f) a não participação na oficina não impede que a(s) pessoa(s) inscrita(s) participem de outras atividades do evento, como os Relatos de Experiência (na sexta, a partir das 14h30min, nas salas C2 e C3 do Setor 5, e das conferências, a partir das 19h, no auditório do Centro de Educação;

g) Lembramos, desde já, que na quinta feira, dia 23, às 16h30min, teremos uma reunião com quaisquer participantes que queiram integrar o grupo EJA em Movimento, a fim de que pensemos uma agenda e dinãmica de atividades do grupo a partir de então, inclusive A ELABORAÇÃO E ENTREGA DE UMA CARTA AO GOVERNADOR ELEITO sobre a situação da EJA em nosso Estado e a necessidade de um diálogo público sobre o assunto.


Abraços a todos(as).

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Comunicado aos(às) inscritos(as) no evento EJA em Movimento

Considerando o sucesso de inscrições de nosso evento (já alcançamos 272 inscrições), a coordenação do EJA em Movimento vem a público para prestar as seguintes informações e esclarecimentos necessários a que todos possam usufruir o mais plenamente possível dele.

1. A Oficina de Alfabetização de Jovens e Adultos numa Perspectiva Freireana, que acontecerá durante os três dias do evento, entre 8h30min e 12h, TEM VAGAS LIMITADAS em no máximo 40 pessoas. Em face da alta procura (cerca de 70 inscritos) e de nossa impossibilidade de ampliarmos esse número de participantes, fomos obrigados a estabelecer critérios para definirmos as pessoas participantes para esta oficina. Nesse sentido, na medida em que esta atividade foi uma demanda originada em discussões com estudantes de Pedagogia da UFRN, além DA ORDEM DE INSCRIÇÃO, consideramos como critério prioritário, SER ESTUDANTE REGULARMENTE MATRICULADO NO CURSO DE PEDAGOGIA DA UFRN. Na hipótese de algum(a) selecionado(a) não estiver presente já no primeiro dia da Oficina, será procedida sua substituição por qualquer pessoa interessada presente na abertura dos trabalhos da oficina.

2. A Oficina de Alfabetização acontecerá na sala H7 do Setor 1, no dia 22, e na sala H8 do mesmo setor, nos dois dias seguintes.

3. A listagem contendo os nomes das pessoas inscritas e selecionadas para a Oficina será divulgada até a próxima segunda feira pela manhã aqui neste blog e enviada por email para todos(as) inscritos(as).

4. A não seleção para participação na Oficina NÃO IMPEDE A PARTICIPAÇÃO NAS DEMAIS ATIVIDADES DO EVENTO (apresentação de relatos de experiências e conferências).

5. Os relatos de experiências serão realizados APENAS NA SEXTA-FEIRA, a partir das 14h30min, nas salas C2, C3 e F3, do Setor 5. Mesmo aqueles que não tem trabalho a apresentar PODEM PARTICIPAR DAS DISCUSSÕES.

6. Os certificados serão disponibilizados a todas as pessoas inscritas digitalmente via SIGAA, após a contabilização da carga horária efetivamente vivida, a partir da assinatura das listas de frequência que circularão durante as atividades.

7. Lembramos todos que na quinta feira, dia 23, às 16h30min, na sala Multimeios 2, do Centro de Educação, teremos uma reunião ABERTA A TODAS AS PESSOAS INTERESSADAS em participar da ORGANIZAÇÃO DE UM GRUPO DE AÇÃO EM DEFESA E PELA VALORIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS. Nessa oportunidade discutiremos formas e eixos de ação e organização do grupo com vistas às necessidades de ação face aos desafios da EJA em Natal e no Rio Grande do Norte.

8. As conferências acontecerão a partir das 19h, no auditório do Centro de Educação.

Abraços a todos e todas.

"Exige-se, pois, uma intencionalidade política, acadêmica, profissional e pedagógica no sentido de colocar-nos na agenda escolar e docente, de pesquisa, de formação e de formulação de políticas, a necessidade de pensar, idealizar e arquitetar a construção dessa especificidade da EJA no conjunto das políticas públicas e na peculiaridade das políticas educativas. Constituir a educação de jovens-adultos como um campo de responsabilidade pública." (Miguel Arroyo)

Grupo EJA em Movimento avalia 2018

No último dia 19 de dezembro, o Grupo EJA em Movimento fez sua última reunião do ano, momento em que se avaliou o trabalho desenvolvido dura...